
Um voo executivo entre Brasília e Cascavel (PR), realizado em 27 de outubro, está entre as principais linhas de investigação da Polícia Federal sobre como a família do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou à fronteira com a Argentina. Os horários desse voo coincidem com os de um Cessna Citation Sovereign, matrícula PU-FCF, operado pela Viação Pioneira, empresa de transporte coletivo do Distrito Federal ligada à família Constantino.
O cruzamento foi feito pelo portal especializado AEROIN, em levantamento conjunto com a Folha de S.Paulo. As duas redações analisaram dezenas de voos executivos que partiram do Planalto Central em direção à região de fronteira. Um voo de Brasília para Foz do Iguaçu, operado por um Hawker 400XP, chegou a ser considerado, mas foi descartado depois que o operador prestou esclarecimentos à reportagem.
O bate-volta
Segundo dados de rastreamento da plataforma AirNavRadar, o PU-FCF decolou de Brasília às 10h04 e pousou em Cascavel às 11h53. A aeronave ficou poucos minutos em solo e voltou para a capital federal às 12h18. Desde então, não saiu mais de Brasília.
Cascavel fica a cerca de duas horas de carro de Foz do Iguaçu. O aeroporto da cidade é usado com frequência como alternativa de acesso à tríplice fronteira.
De acordo com o Metrópoles, esse voo é hoje a principal suspeita da PF como meio de transporte de Fernanda Bolsonaro e das duas filhas do casal. Há divergência entre as versões, porém. Reportagem do Fantástico indicou que uma aeronave chegou a Cascavel por volta das 20h daquele dia, e que dali a esposa e as filhas teriam seguido de van até a fronteira.
Quem são os donos
A Viação Pioneira pertence a Auristela e Cristiane Constantino, filhas de Constantino de Oliveira, o Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas e do Grupo Comporte. O grupo reúne empresas rodoviárias como Viação Piracicabana, Expresso União, Penha, Breda e Reunidas Paulista.
A rota do senador
A PF trata o deslocamento de Flávio como uma linha separada. Uma das hipóteses envolve um Cessna Citation Excel, de prefixo PR-AAA, registrado em nome de uma empresa que tem como sócias a mulher e a irmã do advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Fontes ouvidas nos bastidores, no entanto, consideram menos provável a hipótese de um voo do senador para Buenos Aires. Segundo elas, essa logística seria mais complexa e mais exposta.
O que está confirmado é a etapa argentina. Segundo a Direção Nacional de Migrações, Flávio e a família entraram no país às 22h50 de 27 de outubro, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Dali, o grupo embarcou em um Gulfstream G400 que fez escala em Guayaquil, no Equador, e pousou em Miami na manhã de 28 de outubro.
Ao deixar o país, Flávio descumpriu determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que o havia proibido de sair do Brasil e mandado recolher seus passaportes. A esposa e as filhas não tinham restrição judicial para viajar.
O que dizem os citados
Procurada pela AEROIN, a Viação Pioneira não respondeu até a publicação. A assessoria de Willer Tomaz nega que aviões dele ou de empresas da família tenham sido usados por Flávio ou por seus familiares para deixar o Brasil. A defesa do senador, a cargo do advogado Frederick Wassef, contesta as informações e rejeita que a saída seja chamada de fuga.
Com informações de AEROIN, Folha de S.Paulo e Metrópoles.