Rogerio Morro da Cruz: 84% dos votos vieram de São Sebastião. Agora a cidade vai cobrar a fatura

Rogerio Morro da Cruz (PSD) está reeleito para a Câmara Legislativa. Os números oficiais do TSE mostram de onde veio o mandato — e por que ele não tem margem para errar nos próximos quatro anos.

03/11/2026 às 16h14
Por: Alan Santana
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Rogerio Morro da Cruz: 84% dos votos vieram de São Sebastião. Agora a cidade vai cobrar a fatura

Um deputado de uma cidade só

Dos 19.603 votos de Rogerio Morro da Cruz, 16.496 saíram da 18ª Zona Eleitoral, que atende São Sebastião. São 84% do total. No resto do DF inteiro, ele somou pouco mais de 3 mil votos.

Terminou em 23º entre os 24 eleitos e só entrou porque o PSD fez votos para uma cadeira. Delegado Fernando Fernandes (Republicanos) teve 20.560 votos e ficou de fora.

Vitória folgada? Nem tanto

O principal rival local, o ex-distrital Rogério Ulysses (Avante), fez campanha sem mandato e com equipe menor. Mesmo assim, tirou 7.431 votos na mesma zona. De cada três votos que os dois Rogérios dividiram em São Sebastião, quase um foi para o adversário.

Para quem tinha gabinete, emendas e estrutura, é pouco. Some-se a troca constante de legenda — PMN, sem partido, PRD e agora PSD em quatro anos — e o retrato é de um mandato que depende do nome, não de projeto.

E o voto para federal?

Na disputa para a Câmara dos Deputados, São Sebastião seguiu a tendência do DF. Os mais votados na 18ª Zona foram:

Candidato

Partido

Votos na zona

%

Resultado

Fábio Felix

PSOL

12.801

12,68%

Eleito

Thiago Manzoni

PL

8.191

8,11%

Eleito

Rafael Prudente

MDB

7.851

7,77%

Eleito

Alberto Fraga

PL

5.824

5,77%

Eleito

Julio Cesar

Republicanos

4.724

4,68%

Eleito

Izalci Lucas

PL

4.418

4,37%

Eleito

O dado que importa: nenhum dos oito federais eleitos tirou da zona mais de 10% da própria votação. O mais votado ali, Fábio Felix, teve menos votos em São Sebastião do que Rogerio Morro da Cruz.

Na prática, a cidade não tem um deputado federal para chamar de seu. O dinheiro de Brasília para hospital, rodovia e regularização vai depender da capacidade do distrital de negociar com uma bancada que não deve nada a São Sebastião.

Muito anúncio, pouca inauguração

O próprio gabinete divulga R$ 79,3 milhões em emendas entre 2023 e 2025. A maior fatia foi para eventos e projetos culturais (R$ 10,07 milhões), mais do que a regularização fundiária, sua principal bandeira (R$ 6,5 milhões). No Hospital de São Sebastião, obra de R$ 180 milhões, a parte do mandato foi de R$ 2,2 milhões.

E a lista do que falta é longa: hospital com ordem de serviço, UBS São Francisco e duplicação da DF-473 "prontas para licitar", Via de Ligação do Morro da Cruz ainda no projeto.

O que esperar até 2030

  • Governismo. Com Celina Leão reeleita e sem bancada própria, a tendência é votar com o Buriti e fiscalizar pouco.
  • Zeladoria. Logo após a eleição, ele foi à UPA e ligou para o Iges para trocar dois ar-condicionados. Resolve, mas é papel de gestor, não de deputado.
  • Cobrança objetiva. Se em 2030 a lista ainda estiver "pronta para licitar", o segundo mandato terá sido só a repetição do primeiro.

Em sua defesa, Rogerio Morro da Cruz é um dos poucos distritais que vivem na periferia que representam, e o gabinete aponta energia regularizada para mais de 7 mil casas e 22 novas linhas de ônibus. São Sebastião deu a ele uma segunda chance. Não um cheque em branco.

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