
Dos 19.603 votos de Rogerio Morro da Cruz, 16.496 saíram da 18ª Zona Eleitoral, que atende São Sebastião. São 84% do total. No resto do DF inteiro, ele somou pouco mais de 3 mil votos.
Terminou em 23º entre os 24 eleitos e só entrou porque o PSD fez votos para uma cadeira. Delegado Fernando Fernandes (Republicanos) teve 20.560 votos e ficou de fora.
O principal rival local, o ex-distrital Rogério Ulysses (Avante), fez campanha sem mandato e com equipe menor. Mesmo assim, tirou 7.431 votos na mesma zona. De cada três votos que os dois Rogérios dividiram em São Sebastião, quase um foi para o adversário.
Para quem tinha gabinete, emendas e estrutura, é pouco. Some-se a troca constante de legenda — PMN, sem partido, PRD e agora PSD em quatro anos — e o retrato é de um mandato que depende do nome, não de projeto.
Na disputa para a Câmara dos Deputados, São Sebastião seguiu a tendência do DF. Os mais votados na 18ª Zona foram:
| Candidato | Partido | Votos na zona | % | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| Fábio Felix | PSOL | 12.801 | 12,68% | Eleito |
| Thiago Manzoni | PL | 8.191 | 8,11% | Eleito |
| Rafael Prudente | MDB | 7.851 | 7,77% | Eleito |
| Alberto Fraga | PL | 5.824 | 5,77% | Eleito |
| Julio Cesar | Republicanos | 4.724 | 4,68% | Eleito |
| Izalci Lucas | PL | 4.418 | 4,37% | Eleito |
O dado que importa: nenhum dos oito federais eleitos tirou da zona mais de 10% da própria votação. O mais votado ali, Fábio Felix, teve menos votos em São Sebastião do que Rogerio Morro da Cruz.
Na prática, a cidade não tem um deputado federal para chamar de seu. O dinheiro de Brasília para hospital, rodovia e regularização vai depender da capacidade do distrital de negociar com uma bancada que não deve nada a São Sebastião.
O próprio gabinete divulga R$ 79,3 milhões em emendas entre 2023 e 2025. A maior fatia foi para eventos e projetos culturais (R$ 10,07 milhões), mais do que a regularização fundiária, sua principal bandeira (R$ 6,5 milhões). No Hospital de São Sebastião, obra de R$ 180 milhões, a parte do mandato foi de R$ 2,2 milhões.
E a lista do que falta é longa: hospital com ordem de serviço, UBS São Francisco e duplicação da DF-473 "prontas para licitar", Via de Ligação do Morro da Cruz ainda no projeto.
Em sua defesa, Rogerio Morro da Cruz é um dos poucos distritais que vivem na periferia que representam, e o gabinete aponta energia regularizada para mais de 7 mil casas e 22 novas linhas de ônibus. São Sebastião deu a ele uma segunda chance. Não um cheque em branco.